O Rappa Lyrics - Letras

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O Rappa | O Rappa Mundi | Lado B Lado A | O Silêncio que Precede o Esporro


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1.
Tribunal de Rua

letra: Marcelo Yuka,
música: O Rappa

a viatura foi chegando devagar
e de repente, de repente resolveu me parar
um dos caras saiu de lá de dentro
já dizendo, aí compadre, você perdeu
se eu tiver que procurar você tá fudido
acho melhor você ir deixando esse flagrante comigo
no início eram três, depois vieram mais quatro
agora eram sete samurais da extorção
vasculhando meu carro
metendo a mão no meu bolso
cheirando a minha mão

de geração em geração
todos no bairro já conhecem essa lição
eu ainda tentei argumentar
mais tapa na cara para me desmoralizar
tapa na cara pra mostrar quem é que manda
pois os cavalos corredores ainda estão na banca
nesta cruzada de noite encruzilhada
arriscando a palavra democrata
como um Santo Graal
na mão errada dos homens
carregada em devoção

de geração em geração
todos no bairro já conhecem essa lição

o canudo fugiu, refletiu o lado ruim do Brasil
nos olhos de quem quer (quem quer)
ir me viu único civil rodeados de soldados
como se eu fosse o culpado
no fundo querendo estar
na margem do seu pesadelo
estar acima do biotipo suspeito
mesmo que seja dentro de um carro importado

com um salário suspeito

endossando a impunidade à procura de respeito
mas nesta hora só tem sangue quente
e quem tem costa quente

inteligente peitar o fardado alucinado
mas não é sempre que te agride e ofende para levar alguns trocados

era só mais uma dura
resquício da ditadura
mostrando a mentalidade de quem se sente
autoridade neste tribunal de rua



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2.
Me Deixa

Gm F C Dm7

Dm C7

Pode avisar, pode avisar
Invente uma doença que me deixe em casa pra sonhar
Com novo enredo outro dia de folia
Eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí

Me deixa que hoje eu tô de bobeira
Hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa
Hoje sou um homem sinsero e mais justo comigo

Podem os homens "vir" que não vou me abalar
Os cães farejam medo, logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos tão distantes
Me camuflam na paisajem
Dando um tempo pra cantar

Me deixa que hoje eu tô de bobeira



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3.
Cristo E Oxalá

Em7

Em7 D Em
Oxalá se mostrou assim tão grande
Como um espelho colorido
Pra mostrar pro próprio Cristo como ele era mulato
Já que Deus é uma espécie de mulato

Salve, Em nome de qualquer Deus, Salve
Salve, Em nome de qualquer Deus, Salve
Se eu me salvei, se eu me salvei

G Em7
Foi pela fé , minha fé minha cultura, minha fé
Minha fé é meu jogo de cintura, minha fé, minha fé ééé

O Cristo partiu do alto do morro que nós somos
Rodeados de helicópteros que caçavam marginais
A mostrar mais uma vez o seu lado herói, herói Após o refrão,
Se transfomando em Oxalá, vice-versa tanto faz
A rodar todo branco na mais linda procissão
Abençoando a fuga numa nova direção



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4.
O que Sobrou do Céu

letra: Marcelo Yuka,
música: O Rappa

Emaj7 D#m C#m7 G#m7

Emaj7 D#m G#m7
Faltou luz mas era dia
O sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho
Refletindo o que a gente esquecia

Faltou luz mas era dia

O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal

C#m7 G#m7
O chá pra curar esta azia
O bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina

G#m F# D#m G#m F# A#m7
Pra gente ver
Por entre prédios e nós

G#m F# D#
Pra gente ver
O que sobrou do céu



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5.
Se Não Avisar O Bicho Pega

Se der mole aos "home",
amizade,
O bicho pega
O malandro ganhou
monareta
Uma caixa de fogos,
carretel de linha
Também uma pipa,
Que botou no alto
Pra avisar à massa que a
cana já vinha
A moçada, que não dá
mancada
Sentiu o aviso e pinoteou
Pois toda favela tem sua
passagem
Sem cagüetagem jamais se
dançou
O sangue bom falou
Se der mole aos "home",
amizade,
O bicho pega
Pois lá na favela o olheiro
É maneiro
Esperto, chinfreiro e não fica
na cega
Até mulher que está barriguda
Na hora da dura, segura e nega
E se tem um parceiro na lista
O malandro despista e não escorrega
Se entra e cana, é cadeado
Morre no pau-de-arara,
ninguém entrega
O sangue bom falou
Se der mole aos "home", o bicho pega
Vai ter pipa, foguete, e morteiro
Depende da chuva, sereno e de sol
Até o olheiro que é muito ligeiro
Só fica cabreiro com o
tal do cerol
É por isso que o seu compromisso
É não ficar omisso e prestar atenção
Pois se der mole entra no engodo
Vai dançar no rodo e não tem perdão



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6.
Minha Alma
Marcelo Yuka, O Rappa


Am Fmaj7 Dm7 Am

A minha alma está armada
e apontada para a cara
do sossego
pois paz sem voz
não é paz é medo (medo)

às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz

C G Am
as grades do condomínio
são para trazer proteção

C G Dm
mas também trazem a dúvida
se não é você que está nessa prisão

C G Dm Am
me abrace e me dê um beijo
faça um filho comigo

C G Am
mas não me deixe sentar
na poltrona no dia de domingo
procurando novas drogas
de aluguel nesse vídeo
coagido pela paz
que eu não quero seguir admitindo

É pela pas que eu não quero seguir
admitindo



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7.
Lado B Lado A

Se eles são Exú
Eu sou Yemanjá
Se eles matam bicho
Eu tomo banho de mar
Com o corpo fechado
Ninguém vai me pegar
Lado A lado B, lado B lado A

No bê-á-bá da chapa quente
Eu sou mais o Jorge Bem
Tocando bem alto no meu walkman
Esperando o carnaval do ano que vem
Não sei se o ano vai ser do mal

Ou se vai ser do bem

O que te guarda, a lei dos homens
O que me guarda, a lei de deus
Não abro mão da mitologia negra

Pra dizer eu não pareço com você

Há um despacho na esquina do futuro
Com oferendas carimbadas todo dia
Eu vou chegar, pedir agradecer
Pois a vitória de um homem
As vezes se esconde num gesto forte
Que só ele pode ver

Eu sou guerreiro, sou trabalhador
E todo dia vou encarar
Com fé em Deus e na batalha
Espero estar bem longe
Quando o rodo passar




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8.
Favela

Marcelo Falcão, Xandão e O Rappa

vá dizer pra ela que o curral do samba é a passarela,
vá dizer pra ela que o rio de janeiro todo é uma favela,
senhor, candeia, noel, cartola, adoniram
vá dizer pra ela que o rio de janeiro todo é uma favela,
vá dizer pra ela que o som que eu faço vem lá da favela,

me vem na memória as rodas de samba
é batuque na palma da mão
roda de samba de bamba

velha guarda, portela
velha guarda, mangueira
viola, jamelão

vá dizer pra ela que o curral do samba é a passarela,
vá dizer pra ela que o rio de janeiro todo é uma favela,
de madureira à sepetiba, passando por santa cruz,
bate bola de bixiga de boi
bate bola de sebo de bixiga de boi
é nos terreiros do samba
que a molecada cresce e ama sua escola
e faz as mãos e os pés sangrar

quando os anos passam
quando ele se emociona
de ver sua escola ganhar




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9.
Homem Amarelo


O Rappa

o homem amarelo do samba dp morro
o hip hop do Santa Marta
agarrando o louro na descida da ladeira
malandro da Baixada em terra estrangeira

a salsa cubana do negro oriental
já é ouvida na Central
que pega o buzum
que fala outra língua
reencontra subúrbios e esquinas

é o comando em mesa de vidro
que não enumera o bandido

só misturando pra ver o que vai dar



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10.
Nó De Fumaça

Gm Cm Dm

Saiu de banda serpenteando como um
peixe ensaboado
Nem o Rio engarrafado foi capaz de
detê-lo
Nas esquinas nas favelas não se fala
de outro assunto
Não se fala de outro assunto

Éh! Não se fala de outro assunto
Não se fala de outro assunto

Eu já disse eh!...

Na muvuca da encrenca têm inocente têm culpado
E lavadeira não têm trouxa, fumo novo é batizado
Filha de osso carichada quem conhece sabe que é do santo
Faca sem ponta segura a onda da roubada da roubada

Palmiando as meninas que estreavam a vida adulta
não sobrou uma na área tratamento de puta (2x)
Herói de várzea do pamáro de onde veio
Quem pariu aquele homem de metro e meio
Nó de fumaça que saiu

E com silêncio do santo preto em igreja errada
Porta entrou e de bobeira sentou curvado (2x)
E onde o cara caiu a calçada se fez de cama
Em cima de um palmo de terra
Não nasci mato, não nasci grama
Pintou o sete do terror e fez questão de ser do mal
Consciente malandro sangue ruim e vi coisa e tal
Sangue ruim consciente malandro e vi coisa e tal



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11.
À Todas as Comunidades do Engenho Novo

Letra: Falcão
Música: O Rappa

Eu moro na comunidade do Engenho Novo
À todas as comunidades do Engenho Novo

Tenho referencial para chegar no Bairro então
Souza Barros 24 e a Marechal Rondon
Tem Buraco do Padre para quem Quiser passar
Tem igreja Conceição para quem Quiser rezar

À todas as comunidades do Engenho Novo
Eu moro na comunidade do Engenho Novo

Em todo lugar pela-saco trem
No Engenho não é diferente, tem pela-saco também
Pra não parecer que é marra minha,
Meu irmão no Engenho tem gente fina, gatinha e sangue bom
Todo mundo diz que o funqueiro é um animal
Pela-saco falador tem tudo que tomar um pau
Quando chega a tarde a sensação é o futebol
E a noite com a gatinha curtir um baile na moral

É, a todos os bailes eu quero agradecer
Tem Sargento, Magnatas e também o Garnier
Céu Azul, Matriz, Rato Molhado, Jacaré,
São João, Mangueira, Sampaio, fiquei na fé

Cabeça feita em casa ou em qualquer lugar
Pra quem gosta do assunto vamos Logo "shapear"
Quando chega a tarde no Parque Santos Dumont
Pra quem não conhece o Engenho tá convidado sangue bom

Eu moro na comunidade do Engenho Novo,
À todas as comunidades do Engenho Novo

Partideiro que é partideiro não Pode vacilar
Quando entra no samba tem Que versar
Quando entra no samba Não pode ficar de blá-blá-blá
Muitas pessoas vão se Influenciar
E vão falar pra você Não aparecer mais por lá
Só que a questão Camarada sangue bom
É tudo sem interesse É tudo de coração

Quem fuma, quem fuma, Quem bebe, quem cheira
Tem que chegar no sapatinho E não ficar de bobeira

Porque quem está lá em cima
Não tá de vacilação
Está de olho no movimento
Está de olho na situação

Quem está lá em cima
Não está de bobeira não
Está ligado no movimento
Está ligado na situação

Morteiro na mão, Estrondo no ar
Avisando que a polícia Qualquer hora vai chegar

O morro amado Ao mesmo tempo temido
Do comandado por irmãos Comandado por amigo
Só que a questão Camarada sangue bom
É tudo sem interesse É tudo coração

Como já dizia Cartola As rosas não falam
Se eles choram Por que é que eu vou chorar
Eu vou me emocionar Quando a minha escola
Na avenida entrar Mostrando ao mundo
O que eu quero ver

Como já dizia Renatinho, Valtinho, Cotoco
É mangueira verdadeira Área de lazer

Quarta e sexta-feira Rola o futebol
O morro desce em peso Pra jogar na moral
A regra aqui uma falta Não existe
Se não gostou vacilão Fica de fora e assiste

É, eu moro lá, eu moro lá,
Engenho Novo, Engenho Novo



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12.

Na Palma Da Mão

Letra: Marcelo Yuka
Música: O RAPPA


O negro pisou no topo do morro
Pegou sua viola e tocou pro povo
Pro povo do crime
Que foi chegando e colocando
As suas armas devagar no chão
O mesmo chão que guarda o sangue
O mesmo chão de correrias
O mesmo chão de tantas famílias
Que hoje batucam o mesmo som

Na palma da mão pra adivinar

O negro brilhou e ajudou
Aquelas almas distorcidas pela guerra
Só com a viola, só com a voz
Só com a viola suas idéias
Onegro falou e falou alto
Inspirou uma calma
E misteriosamente alegre é
Sufocando o pior dos bandidos

E em troca deixou lágrimas
Nos olhos do artista
Lágrimas, lágrimas
Na palma da mão pra adivinar

Hoje mesmo, hoje
Quando o barulho dos tiros sinalizam
O que acontece por lá

Uma comunicação silenciosa
Se faz com a memória das armas no chão
Por algum momento
Ganhando outra missão


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