
O Rappa - 1994
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Catequese Do Medo
Letra: Marcelo Yuka
Música: Marcelo Yuka
Catequese do medo
Num buraco negro
No fim do terceiro mundo
Um sorriso assustado
Uma mãe desesperada
Um pai mal pago, operário e mudo
Reuniões oficiais escurecendo outras salas
Onde a tortura faz filho
Na pele de um jovem afro-brasileiro
Na pele de um jovem fudido e sem dinheiro
Por isso...
Podem falar o que for
Que eu sei que não sou culpado
Podem falar o que for
Que eu sei que não sou, sei que não sou
A fome é um esperma
Por entre as pernas da violência
E o egoísmo que excitou
As diferenças em que merece
Um aborto imediato
Um apartheid econômico
Contamina, machuca
E não nos deixa gritar
Quando o carro preto passa
Quando o carro preto passa
Por isso
Podem falar o que for
Que eu sei que não sou culpado
Podem falar o que for
Que eu sei que não sou
Sei que não sou
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Não Vão Me Matar
Letra: Marcelo Falcão
Música: Marcelo Falcão
Em Am Em B7
Eu não quero mais saber de sofrer não .Não
quero não
Me contam histórias diferentes, Achando que eu vou acreditar
Enganam o povo com promessas, Tentando induzi-los a acreditar
Que a consciência do ser humano, De repente pode até falhar
Quem bate esquece quem apanha, E quem apanha quer se vingar
C B7 C B7
Criticam uma raça tão bonita, Que é capaz de agüentar
Torturas, humilhações à parte, Podem pisar, mas
não vão me matar
Em D G B7
Cantando a verdade, falando da vida, Contando história, falando
de amor
Brigando com a vida, prá ser mais feliz, mais não vão
me matar
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Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro
Letra: Marcelo Yuka
Música: O Rappa
a g e a g e a g e a g e a
Am7 e g a
Am7 Dm
Unite black people unite.
Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os zomens e nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qualé negão? Qualé negão?
O quê que tá pegando?
Qualé negão? Qualé negão?
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
E escolhe sempre o primeiro negro prá passar na revista
Prá passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
É mole de ver
Que para o negro
Mesmo a AIDS possui hierarquia
Na África a doença corre solta
E a imprensa mundial
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Ou das colunas sociais
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Valoriz heroi
Todo o sange derremado afro tupi
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Take It Easy My Brother Charles
Letra: Jorge Ben
Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor
Pois a rosa é uma flor
A rosa é uma dor
A Rosa é um nome de mulher
Rosa é o flor da simpatia
É a flor escolhida no dia
Do primeiro encontro do nosso dia
Com a vida querida
COm a vida mais garrida
Take it easy Charlie
Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor
Depois que o primeiro homem
Maravilhosamente pisou nna Lua
Eu me senti com direitos, com princípios
E dignidade
De me libertar
Por isso, sem preconceito eu canto
Eu canto a fantasia
Eu canto o amor, eu canto a alegria
Eu canto e fé, eu canto a paz
Eu canto a sugestão
Eu canto na madrugada
Take it easy my brother Charlie
Pois eu canto até prá minha amada
Esperada, desejada, adorada
Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor
Charlie, take it easy my boy
Take it easy my friend
Olha como o céu é azul
Olha como é verde o mar
Olha que Sol bonito, Charlie
Take it easy my boy
Take it easy my friend
Tenha calma meu amigo
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Brixton, Bronx Ou Baixada
Letra: Marcelo Yuka e Nelson Meirelles
Música: O Rappa
O que as paredes pichadas têm prá me dizer
O que os muros sociais têm prá me contar
Porque aprendemos tão cedo a rezar
Porque tantas seitas têm, aqui seu lugar
É só regar os lírios do gueto que
o Beethoven
Negro vêm prá se mostrar
Mas o leite suado é tão ingrato que as gangues
Vão ganhando cada dia mais espaço
Tudo, tudo, tudo igual
Brixton, Bronx Ou Baixada
A poesia não se perde ela apenas se converte
pelas mãos no tambor
Que desabafam histórias ritmadas como único
Socorro promissor
Cada qual com seu James Brown
Salve o samba, hip-hop, reggae ou carnaval
Cada qual com seu Jorge Ben
Salve o jazz, baião e os toques da macumba também
Da macumba também
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R.A.M.
Letra: Marcelo Yuka
Música: O Rappa
Nação não é bandeira
Nação é união
Família não é sangue
Família é sintonia
Novos satélites nos aproximam mais e mais
Então a gente se vê nos telejornais
Agora mesmo pedras estão voando
Na direção certa
Confie nisso "véio"
Ritmos, ações e manifestos
Atirados em passeatas
Ou em casos solitários
Como batuques diferentes
Numa mesma pulsação
Que não vão mudar o mundo
Mas fazem diferença
Ao fascismo que cresce com a crise
Fazem nossa diferença
Na maneira de encarar
Cidadania, ruas e microfones
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Coincidências E Paixões
Letra: Marcelo Yuka
Música: Marcelo Yuka e Marcelo Falcão
Tem razão quem tem paixão
Tem razão quem fala com a voz do coração
Considerando a gente como fruto
De algo maior
Maior do que tudo
A gente começa então a entender
Quen não, que não seria um absurdo
Coincidências e paixões
De repente acontecerem
Coincidências e paixões, uh uh
O destino
Pode mudar como o vento
Nada é tão planejado assim
Certo, inatingível
Como eles parecem dizer
Tem razão quem tem paixão
Tem razão quem fala com a voz do coração
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Fogo Cruzado
Letra: Marcelo Yuka
Música: Marcelo Yuka e Marcelo Falcão
Eu tô no fogo cruzado
Vivendo em fogo cruzado
E eu me sinto encurralado de novo
No gueto o medo abala quam ainda corre atrás
Do fascínio que traz o medo da escuridão
Que é a vida
No gueto o medo ilude e seduz
Com o poder da cocaína
Quem comanda o sucesso
Das bocas de fumo da esquina
Mas a favela não é mãe
De toda dúvida letal
Talvez seja de maneira
Mais direta e radical
o Sol que assola
Esses jardins suspensos
Da má distribuição
Que arranham o céu
Mas não percebem o firmamento
Que se banham à beira-mar
Mas não se limpam por dentro
Que se orgulham do Cristo
De braços abertos, mas não abrem as mãos
Pra novos ventos
Tô no fogo cruzado
Vivendo em fogo cruzado
Entre a Bélgica e a Índia
Entre a Jamaica e o Japão
Entre o Congo e o Canadá
Onde a guerra nunca tá entre o norte e sul
Entre o mínimo e o máximo
Denominador comum
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À Noite
Letra: Marcelo Yuka
Música: Marcelo Yuka
À noite, quando o calor se
Mistura com a luz da TV preto e branco
À noite, eu quieto dentro de casa
Ouvindo rajadas de bala
À noite, fatos ruins do jornal
Se unem ao meu cansaço
À noite, o mesmo corpo cansado
Às vezes se perde de frente a saída
Mesmo assim eu paro e agradeço
Por eu não fazer do rancor minha vida
Por eu ainda acreditar no poder
Do amor revolucionário e salvador
Amor que me tirou a arma da mão
E me deu mais essa canção
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Candidato Caô Caô
Letra: Walter Meninão e Pedro Butina
Participação Especial: Bezerra da Silva
Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça, foi lá
Na tendinha e bebeu cachaça, e até bagulho fumou
Foi no meu barracão, e lá
Usou lata de goiabada como prato,
Eu logo percebi é mais um candidato
Às próximas eleições
Às próximas eleições
Às próximas eleições
Fez questão de beber água da chuva
Foi lá na macumba e pediu ajuda
Bateu a cabeça no gongá,
"Deu azar"...
A entidade que estava incorporada
Disse: esse político é safado,
Cuidado na hora de votar
Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto amanhã manda
A polícia lhe bater
Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto amanhã manda
A polícia lhe prender
Hoje ele pede seu voto amanhã manda
A polícia lhe bater
Eu falei prá você, "viu"?
Nesse país que se divide
Em quem tem e quem não tem
Sempre o sacrifício cai no braço operário
Eu olho par aum lado
Eu olho para o outro
Eu vejo desemprego
Vejo quem manda no jogo
E você vem, vem
Pede mais de mim
Diz que tudo mudou
E que agora vai ter fim
Mas eu sei quem você é
E ainda confio em mim
Sei que o jogo é sujo
Mas eu não desisto assim
Você me deve
Você me deve
Hoje ele pede, pede, pede de você
Amanhã ele vai, vai, vai te fuder
Hoje ele pede, pede, pede de você
Amanhã ó!
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Mitologia Gerimum
Letra: Marcelo Yuka
Música: Marcelo Yuka e Marcelo Lobato
Vou, vou, vou voltar
Prá casa de novo
Eu tivo que vir só
Não pude trazer você comigo
Às vezes eu me sinto
Um exilado político
Por ser um gabirú
Não tão lesado assim
Gabirú, gabirú, gabirú eh!
Vou, vou, vou voltar
Prá casa de novo
Troquei poeira por fuligem
Fiz um pacto em São Cristóvão
O couro da zabumba
Guarda um pedaço
Do dia em que o suor virar alegria
E os olhos tocarem na mãe
Brincando de aliviar
Um pouco do tempo que se foi
A um passo do precipício
A verdade é tão dura
Quanto o azulão contou
E se eu pensar no toque
Valeu a pena
Vale o meu corpo vira-latas
Mais forte do que
Muito homem de pedigri
Vale um copo de cachaça
Pago de maneira decente
Vale a fé que freqüenta
A mitologia gerimum
De Padre Cícero a Frei Damião
Porque nem a segunda casa
É capaz de sarar
As lembranças do chão
Que me fez
Do chão seco e ingrato
Mas o chão que me fez
Vou, vou, vou voltar
Pra casa de novo
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Sujo
Letra: Marcelo Yuka
Música: Marcelo Yuka
Se um raio cai no mesmo lugar
Duas vezes
Qualquer um de nós é capaz de
Parar, e pensar, e dizer e falar
Por que eu?
Por que eu?
Por que eu?
Por que eu?
Mas a cidade é muito grande
A cidade é gigante
A cidade é covarde
Com os que mais precisam dela
Os raios então são mais de dois, são
muitos
E sucessivos e é por isso que ele está aí
Sujo, frio e bêbado
Sujo, mas não tão sujo quanto a sociedade
Frio, mas não tão frio quanto a impiedade
Bêbado, mas não tão ébrio quanto a passividade
Passividade, passividade
Sujo, frio e bêbado
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